top of page
Buscar

Em uma transação imobiliária, cada um tem seu papel. Não se confunda.

  • Melina Lima
  • 29 de jan.
  • 4 min de leitura

São 15 anos de atuação no mercado imobiliário.

Desde os primeiros contatos com a lei, lá nos primórdios do primeiro estágio, eu lido com reintegração, manutenção de posse, despejo, recuperação de crédito, negociações… e, por isso, eu realmente entendo as nuances e complexidades da operação diária para manter procedimentos internos e uma boa prestação de serviços dentro de uma imobiliária.

Mas tem uma coisa que eu nunca vou normalizar: descaso. Falta de profissionalismo. E a ausência do mínimo por aqueles que, em tese, deveriam servir.

Sem generalizar: eu tenho algumas (e boas) imobiliárias e corretores parceiros. Mas também vejo muitas administradoras com a “capa” linda — sede grande, “chique”, marca consolidada na região — que não agem com a mínima diligência, deixam de fazer o básico: ouvir, entender e ser ativas no que devem (por contrato e por lei) fazer.

E é aqui que entra o alerta que eu repito, praticamente, para todo mundo que chega até mim com alguma questão envolvendo imóveis:

“Em uma transação imobiliária, cada um tem seu papel. Não se confunda!”

O que o “não se confunda” significa?

Significa que, numa relação imobiliária, cada serzinho ali envolvido — pessoa física ou jurídica — tem um papel diferente e um objetivo diferente dentro do que está acontecendo.

E quando você confunde os papéis, você cria um risco silencioso: você assume que alguém está te protegendo… quando, muitas vezes, essa proteção não é o objetivo daquela pessoa/empresa na relação.

Vamos aos fatos — de forma bem direta.

Quem é quem na prática

Corretor

Divulga e recebe a comissão.

Ele pode até ser prestativo, atento, parceiro — e muitos são. Mas o papel principal do corretor é aproximar as partes e intermediar a negociação, com foco em viabilizar a venda/locação.

Imobiliária / Administradora

Administra e recebe a comissão.

De novo: pode existir excelência, e eu conheço gente muito boa. Mas a administradora, via de regra, está ali para cumprir uma função operacional/contratual: gerir cobranças, repasses, rotina de locação, demandas do imóvel, comunicação entre locador e locatário.

O problema é quando isso vira “modo automático”: a administradora não escuta, não registra, não conduz, não resolve, e o cliente fica com a sensação de que está pedindo um favor — quando está exigindo o básico.

Construtora

Cria e recebe o valor da venda.

O objetivo é vender o produto (o imóvel) dentro do modelo de negócio dela.

Incorporadora

Incorpora o empreendimento (estrutura, viabiliza o projeto, riscos do negócio) e, no fim, também está ali pela venda.

Jurídico (da imobiliária, administradora, construtora, incorporadora)

Advoga para a empresa, não para você.

Aqui é um ponto que muita gente ainda se confunde: o jurídico interno/terceirizado dessas empresas tem compromisso com o cliente deles (a empresa), dentro do contrato firmado com eles. E isso não é “maldade”. É papel. É função. É a lógica do jogo.

Banco

Financia e resguarda o crédito.

O banco quer garantir que o crédito esteja protegido, que os documentos mínimos estejam ok para liberar financiamento, que as garantias estejam formalizadas. Mas o foco dele é o risco do banco, não o seu risco como comprador, vendedor, locador ou locatário.

Agora me responde com honestidade…

Você viu aí se algum deles analisa o imóvel, o vendedor/comprador, o contrato, a documentação e os riscos para VOCÊ ter menos risco?

Alguém aí tem por objetivo e finalidade garantir os seus direitos e a sua segurança?

É por isso que eu repito:

Entendeu por que você não pode se confundir?

Porque, na prática, se você não tiver clareza de papéis, você entra numa transação imobiliária achando que está “assistida”, quando, muitas vezes, está apenas “incluída” no processo.

“Tá, Melina… então o que eu faço?”

Você faz o simples (que quase ninguém faz, até o problema aparecer):

  1. Pare de assumir que alguém está olhando por você.Pode até estar — mas não parta desse pressuposto.

  2. Tenha alguém olhando com o SEU interesse.Pode ser uma assessoria jurídica na compra e venda, na locação, na renovação, na rescisão, na negociação. O ponto é: alguém que esteja do seu lado.

  3. Exija diligência mínima, por escrito quando necessário.Pedido por WhatsApp se perde. E-mail fica. Protocolo fica. Registro muda o jogo.

  4. Entenda que “bonito” não é sinônimo de “bem feito”.Uma sede chique, uma marca forte e um atendimento simpático não substituem o básico: processo, responsabilidade e resposta.

  5. Não assine no impulso.Contrato não é “só um contrato”. É decisão com impacto real: prazos, multas, garantias, deveres, riscos. E depois que assinou, geralmente, fica mais caro consertar.

Fechando com o mesmo alerta (porque ele salva muita gente)

Em transação imobiliária, a pergunta certa não é “quem está envolvido?”.É:

“Quem está responsável por reduzir o meu risco aqui?”

Se a resposta for “ninguém”, você já sabe onde está o perigo.

E eu volto ao começo:

Em uma transação imobiliária, cada um tem seu papel. Não se confunda.

Aviso importante: este artigo tem caráter informativo e não substitui análise jurídica do caso concreto. Em relações imobiliárias, cada situação exige avaliação individual, documentos e contexto específicos.


Close-up view of a woman entrepreneur working on her laptop in a cozy office space


 
 
 

Comentários


Rua José Versolato, nº 111, BL B - 11° andar – Cj. 1101

Centro - São Bernardo do Campo - SP

CEP: 09750-730

WhatsApp (11) 97654-1750

contato@melinalima.com.br

Melina Lima Sociedade Individual de Advocacia - CNPJ. 44.558.543/0001-02

Melina Lima marca dagua laranja.png
bottom of page